Distribuição Gratuita Jornal Informativo Alcon Janeiro 2005 - nº 7
 
 
 
     
 
Criação Comercial de Papagaios
Aspectos legais e técnicos
Renato Severi Costa e Silvia Campos Gonçalves
Criadouro Amazona Zootech
  Desde o Brasil colônia os grandes psitacídeos são conhecidos pela sua beleza e habilidade com a fala, sendo o país designado por tal fato como “terra dos papagaios”. Segundo Nogueira – Neto (1973), a importância como “xerimbabos” (animais de companhia) dos índios, e depois como aves de estimação dos colonizadores, deriva destas características. O fato de poderem ser amansados, dispensando o uso de gaiolas, colaborou para que venham sendo mantidos como animais de estimação há séculos. Os índios mantinham estas aves soltas em suas tabas.
Infelizmente, o Brasil é hoje o país que possui o maior número de espécies da família Psitacidae ameaçadas de extinção, onde 24 % das espécies originalmente pre-sentes estão nesta situação. Até alguns anos, todos os animais mantidos em cativeiro doméstico eram provenientes do comércio ilegal.
 

Amazona brasiliensis - Papagaio de Cara Roxa, em quarentena.
 
 

Autor com exemplares de Papagaio e Ararajuba.
A criação em cativeiro de espécies ameaçadas ou não de extinção é de fundamental impor-tância para a recuperação destas populações, tornando-se possível o repovoamento de áreas onde as espécies ocorriam. Em 15 de outubro de 1997 o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA normatizou o funcionamento de criadouros de animais da fauna silvestre brasileira com fins econômicos e industriais, através da portaria 118 N. Com a portaria 117 N a comercialização de animais vivos provenientes de criadouros com finalidades econômica e industrial registrados junto ao IBAMA, também foi normatizada. Passou-se a ter assim uma opção legal para se obter e manter animais silvestre s brasileiros com finalidade “pet”.

 

Estabelecimento legal

  Apesar de recente no Brasil, a criação comercial de psitacídeos já está estabelecida em quase todo território. Para quem pretende iniciar na atividade, o primeiro passo é atender às exigências das portarias citadas e enviar ao IBAMA uma carta consulta. É preciso definir quais as espécies que se pretende criar e o número de casais, aliado a um estudo prévio de mercado. Este estudo pode garantir o sucesso da criação, pois no caso de Papagaios do gênero Amazona, deve-se ter em mente que a maturidade sexual média é de cinco anos, portanto o retorno financeiro é de médio a longo prazo. Aprovada a carta consulta é o momento de apresentar o projeto para o órgão.
 

Filhotes de Papagaio Verdadeiro.

Amazona aestiva xanthopteryx - Papagaio do Chaco.

  Projeto
 
   
A elaboração de um projeto para criação de Amazona aestiva (Papagaio Verdadeiro) deve levar em conta o conhecimento da biologia da espécie, para que se tenha subsídio no manejo eficiente da população em cativeiro. Também é preciso conhecer as necessidades da espécie, os requisitos para dimensionamento dos recintos, funcionalidade, praticidade e viabilidade econômica.

As instalações devem possuir uma distribuição que facilite e agilize as tarefas de manutenção, como limpeza e higienização, alimentação e inspeção, não onerando assim o custo com mão de obra e diminuindo o estresse das aves. O setor de quarentena tem como função deixar em observação diária as aves oriundas de outros locais, bem como aves do próprio plantel que apresentem sintomas de enfer-midades, como endoparasitoses, que possam colocar em risco o restante do plantel. O período de quarentena deve ser de no mínimo 45 dias. Neste setor também serão observadas aves em processo de adaptação a uma nova alimentação.

   
Viveiros de Reprodução
   

Viveiros de reprodução.
A confecção dos viveiros reprodutivos deve garantir boa condição de manejo em conjunto com uma situação de bem estar para as aves, que é mais um componente positivo no processo reprodutivo dos Papagaios. Existem dois modelos de viveiros de reprodução. O de alvenaria tem a vantagem de oferecer maior proteção e segurança para as aves, principalmente com relação às condições climáticas. Em contra-partida seu custo é elevado, e apresenta dificuldade na higie-nização, problemas com infestação de roedores e problemas sanitários, além do estresse causado às aves pela necessidade de entrar no recinto para a manutenção. Estes fatores podem acarretar em insucesso reprodutivo.

A segunda opção é o uso de gaiolas suspensas, que apresentam vários benefícios e, em muitos casos, conferem o sucesso repro-dutivo. É o sistema mais utilizado, inclusive em outros países. As gaiolas deverão estar em lugares tranqüilos, afastados de estradas, evitando-se o barulho e as luzes, que podem estressar as aves. Além disso, as estradas podem ser porta de entrada de doenças provenientes de outras criações. Recomenda-se que as gaiolas recebam sol de forma uniforme. Para tanto devem ser construídas no sentido leste-oeste, para ocorrência

Papagaio Moleiro.
de sol durante todo o período na parte descoberta do recinto. Esta orientação evita oscilações prejudiciais de tem-peratura, bem como o calor excessivo nos meses de verão, que poderia resultar em estresse calórico. O uso de quebra vento com lona aviária é uma medida a ser adotada para minimizar o efeito dos ventos frios oriundos da direção sul. As portas das gaiolas devem ser simples, pois serão pouco utilizadas, mas deverão permitir que o tratador tenha facilidade em remover ou colocar as aves ou na substituição de poleiros, sem perigo de fuga.


Viveiro coletivo.
Os poleiros devem ser sempre de madeira, não lisos, com diâmetro variado, para as aves exercitarem a musculatura dos pés. O uso de um poleiro mais grosso auxilia a cópula. Como as aves têm necessidade de roer, a madeira como material é um estímulo a mais, principalmente na época de reprodução. O poleiro da frente da gaiola deve estar na altura dos olhos do tratador, e o segundo mais alto, para proporcionar um adequado ponto de fuga para as aves, quando da presença humana. Este segundo poleiro deve estar na parte descoberta do recinto (FREIXINHO, 2002).

O ninho deverá ser sempre de madeira, embora os Papagaios aceitem outros tipos de material. O sistema deve ser durável e de fácil manutenção, com uma pequena porta na parte de trás para inspecionar os ovos ou filhotes.
  Matrizes
  Para a escolha de exemplares para reprodução pode-se começar com filhotes nascidos em cativeiro ou com matrizes mais velhas. A vantagem do uso de filhotes nascidos em cativeiro é o fato de se conhecer o histórico desta ave. Caso tenha sido criada com papa específica para psitacídeos há maior chance de sucesso reprodutivo, inclusive precocemente, com três anos de idade. Embora este processo possa parecer moroso, proporciona uma probabilidade maior na aceitação mutua como parceiros sexuais, principalmente pela forte ligação conjugal adquirida, mais evidente na época da maturidade sexual de ambos.
  Alimentação
 
Os co medouros devem ser projetados de forma a serem manipulados externamente, para não haver incômodo aos
casais, principalmente na época repro-dutiva. Assim como os bebedouros, os comedouros podem ser de aço inoxidável, que é atóxico, durável e de fácil limpeza. Os bebedouros devem ser posicionados de forma que as aves não defequem dentro. A alimentação é sem dúvida um dos aspectos mais importantes para se manter corretamente as aves em cativeiro. A inadequada nutrição esta relacionada com a maioria dos problemas clínicos nos criadouros. Como é extremamente difícil oferecer uma dieta semelhante à que as aves dispõem na natureza, deve haver muito critério para o fornecimento adequado de mine-rais, vitaminas, proteínas e carboidratos.

Atualmente, as rações indus-trializadas são superiores às rações caseiras e definitivamente supe-riores às rações compostas por mistura de sementes. Estas são deficientes em muitos nutrientes essenciais, além de muitas semen-tes serem excessivamente ricas em gorduras. As aves não escolherão uma dieta balanceada se receberem várias rações que incluam sementes ou outros ingredientes alimentares não saudáveis. Quando se suplementam rações comerciais com legumes, verduras e frutas, estes petiscos devem ser limitados.

A conversão das aves para uma ração formulada comercial pode ser
feita tran-qüilamente, obe-decendo às recomen-dações do produto. Uma n
utrição ade-quada resulta em muitos benefícios, como uma vida mais longa e saudável. Para manutenção e repro-dução de nossos Papagaios, usamos no Criadouro Amazona Zootech a ração extrusada Alcon Club Psita Sticks, bem como a Alcon Club Farinhada com Ovo para Psitacídeos. Para a nutrição adequada dos filhotes trabalhamoscom o alimento Alcon Club Papa para Filhotes – Psitacídeos. Usamos também frutas e legumes que, além de petiscos, servem como uma “tera-pia ocupacional”, para as aves ocu-parem o seu tempo. O manuseio do alimento e o tempo dispensado à alimentação distraem os Papagaios e bene-ficiam o aspecto reprodutivo e o desenvolvimento dos filhotes.
Vale salientar é que não existe uma “receita de bolo” para a criação de Papagaios em cativeiro, mas deve prevalecer o bom senso, aliado a uma orientação técnica correta, com conhe-cimento da espécie e fundamental planejamento.